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Juízo final. Alberto Gonçalves. Revista Sábado. Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 30 Novembro 2009 23:33

 

Alberto Gonçalves. Sociólogo. 

Alberto Gonçalves

 

Uma proposta modesta 
O que há de comum entre os negócios da sucata, as interferências na TVI, as escutas, os escutados
, os amigos dos escutados e a genérica fragrância a trafulhice que o regime respira?
Se respondeu ??o Partido Socialista?, esteve perto, mas não acertou. 0 que há de comum a tudo o que de vergonhoso sucede em Portugal são os portugueses. Não era por acaso ou birra que, séculos antes de Maitê Proença, cada estrangeiro que chegava de visita saía a louvar a paisagem e a protestar o povo que a habitava. Hoje, graças ao povo, nem a paisagem escapa. Somos óptimos a fazer arroz de cabidela, conservas de peixe, azeite, cerâmica e rolhas. Ocasionalmente, também somos bons a reconhecer que não somos bons em mais nada. Por isso evitamos consumir filmes, relógios, perfuradoras mecânicas, frigoríficos, perfumes e tractores nacionais.
Infelizmente, consumimos políticos nacionais. Porquê? Não sei. Não imagino o que nos leva a dedicar a gestão da coisa pública o desleixo que não dedicamos ao resto. No resto, exibimos bom senso: ninguém se satisfaz com Manuel Alegre se conhecer Philip Roth, com bolachas Maria se alcançar brownies italianos ou com um Sado 550 se tiver crédito para um Mercedes 550. Até no futebol, esse reduto do ??patriotismo?, a tendência é varrer os indígenas e substitui-lo por contentores de brasileiros e argentinos supostamente talentosos. Só a administração pública, da presidência da junta a da República, é que continua restrita, ou quase, ao produto caseiro. E o produto caseiro continua à altura das expectativas: ano após ano, descemos um punhado de lugares nos rankings que medem a corrupção estatal. Em 2009, eis-nos empatados com Porto Rico e logo acima do Botswana.
Podia ser pior? Talvez, se trocássemos a nossa classe política pelos seus equivalentes do Haiti ou do Irão, uma hipótese que, por espantoso que pareça, suscitaria saudades do eng. Sócrates e companhia (aparentemente) ilimitada. A questão é que podia ser melhor, bastando para tal importar, políticos de países onde a designação ??de direito? represente a submissão dos eleitos à Justiça e não o inverso.
A acreditar no referido, e recentíssimo, relatório da Transparency International, os países a ter em conta em matéria de seriedade são a Nova Zelândia, a Dinamarca e Singapura. Porém, face a miséria de que dispomos, qualquer governante suíço, islandês cm uruguaio já significaria um franco progresso. Um progresso que, a primeira vista, se depara apenas com três ligeiras dificuldades.
A primeira é convencer os excelsos deputados da Nação, versados na aprovação de leis em proveito próprio, a abrir os seus cargos à concorrência externa. A segunda é convencer neozelandeses e suíços mentalmente equilibrados a mudarem-se para aqui. A terceira é convencermo-nos de que, depois de inspirarem o aroma local. Os neozelandeses e os suíços não apreenderiam os hábitos do português médio e não se converteriam, como aconteceu aos senhores que agora mandam em nós, em portugueses acima da média ?? nos hábitos e na respectiva impunidade.

As causas e as consequências
Ver um pedacinho do Prós e Contras sobre o casamento gay é regressar a um lugar onde se foi infeliz.
 A avaliar pela quantidade de caras que reconheci de outros debates, na frente ??fracturante? os participantes no programa devem ser profissionais daquilo. Nunca falha uma senhora perpetuamente escandalizada chamada não sei quê Moreira. Nunca falha o dr. Vale de Almeida, um académico especialista em ??género?, ??corpo? e ??crioulidade? (está no currículo dele). Nunca falta a psicóloga que vive com o ??amor? e os ??afectos? na boca. Nunca falha um rapaz coradinho que lidera uma associação homossexual (urge um estudo que mostre a relação directa entre a proliferação de associações e o decréscimo da produtividade laboral).
E, claro, nunca falha a arrogância. Por desinteresse na matéria, não reparei nos argumentos (?) de ambos os sectores: passei o tempo a reparar nos tiques dos elementos do sector gay. ? um espectáculo singular, o modo sarcástico como sorriem perante o atraso de vida que atribuem aos adversários, o modo malcriado como fingem explicar o que sabem não estar ao alcance de primitivos. Herdeiro do melhor totalitarismo, o método dos activistas pela ??tolerância? é simples e consiste em dividir o mundo de acordo com os critérios que eles mesmos estabeleceram. De um lado, os delegados do ??bem? e da ??modernidade?; do lado oposto, rústicos que arrotam, não respeitam a dignidade da pessoa humana e fomentam a ??discriminação?. Num quadro assim definido, é fácil a um sujeito semialfabetizado sentir-se moral, intelectual e genuinamente superior ao resto da humanidade. Durante hora e meia de brilho televisivo, qualquer poço de clichés se convence de que é um iluminado.
Donde as causas :se não servissem essa ilusão de grandeza as ??causas? serviriam o quê? As ??minorias?? A única minoria que beneficia do ruído dos activistas é a dos próprios, isto na estimativa optimista de que menos de metade dos cidadãos anda par aí aos gritos. Não é o caso dos cidadãos que se sentam no parlamento, aos quais encarecidamente peço: aprovem o casamento gay, a eutanásia, o estatuto jurídico das codornizes ou o que quiserem, contanto que o façam em silêncio e depressa. Antes de novo Prós e Contras, se possível.

Actualizado em Quarta, 30 Dezembro 2009 23:51