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Carlos Castro: gays e a liberdade de expressão. Henrique Raposo. Expresso online Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 17 Janeiro 2011 20:35

Uma pessoa pode criticar gays, mas já não pode ameaçar gays. Isso já não é uma opinião. ? uma ameaça, é um ato não-protegido pela liberdade de expressão, mesmo quando é cometido nas obscuras caixas de comentários dos jornais.

   

    Henrique Raposo

Por Henrique Raposo

 

I. Não, as pessoas não estão protegidas pela liberdade de expressão a partir do momento em que ameaçam o alvo da sua crítica. A liberdade de expressão protege opiniões, não protege atos. Alguém que celebra a morte de um gay não está a dar uma opinião, está a cometer um acto de violência pura. Alguém que ameaça todos os gays não está a dar uma opinião, está a cometer um crime público.

II. Uma pessoa tem o direito a gozar com gays, tem o direito de criticar gays, tem o direito de achar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não faz sentido, tem o direito a considerar que a família tradicional é superior às famílias alternativas, tem o direito a pensar que o folclore de certos grupos gays é enjoativo e intolerante , tem o direito a fazer um clube onde não podem entrar gays, tem o direito a dizer que não compreende a homossexualidade. Isto tudo são opiniões ou meras posições mais ou menos sérias, mais ou menos satíricas. O chamado politicamente correto lida mal com estas posições. Aliás, qualquer crítica ou sátira sobre qualquer coisa remotamente gay costuma ser apelidada de "homofóbica" (tal como qualquer crítica a um muçulmano costuma ser apelidada de "racismo" ou "islamofobia"). Por exemplo, se eu criticar o conceito (idiota) de literatura gay, serei acusado de "homofobia" pelos tolerantes de serviço. Azar o deles, que não percebem o que é liberdade de expressão.

III. Bom, uma pessoa pode dar opiniões que criticam essa grande galáxia que é o mundo gay, uma pessoa pode gozar com uma pessoa que por acaso é gay, mas uma pessoa já não pode ameaçar uma pessoa que é gay ou os gays em geral. Quando ameaça os gays, uma pessoa está a cometer um ato de violência. Um ato. Já não é uma mera opinião. Uma pessoa tem o direito de dizer "não gosto de gays", mas não tem o direito de dizer "morte aos gays".

IV. Ora, encontrar "morte aos gays" em todos os jornais portugueses é algo que levanta a questão: o que é o espaço público na era da Internet? Não estamos a falar de blogues. Nos blogues, espaços semiprivados, as pessoas podem fazer o que bem entenderem. A Net e a blogoesfera são a selva, e devem permanecer uma selva. Mas sucede que um jornal não é um blogue, um jornal não é a selva. Um jornal, mesmo na sua caixa de comentários, é um espaço público civilizado, e, portanto, não pode aceitar este tipo de linguagem. Hoje é contra os gays, depois será contra os judeus, contra os pretos, contra os alemães, contra isto e contra aquilo. Ao verem as suas posições impressas num jornal online, as pessoas sentem-se legitimadas, sentem que a sua posição radical e violenta não é, afinal, tão radical e tão violenta.

V. Nesta era da Internet, os jornais têm de se distinguir dos blogues e demais instrumentos internéticos. Para isso, têm de fazer trabalhos de fundo como estes , e, acima de tudo, têm de se tornar espaços realmente públicos e com uma linguagem pública nas suas caixas de comentários. Quem tem valor para dizer alguma coisa válida nestes espaços percebe, mui rapidamente, que não vale a pena. Porque os vândalos apoderam-se desses espaços que deviam ser espaços antivândalo. A era da Net não pode ser sinónimo de era do vale tudo ou era sem critérios ou barreiras.

 

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Actualizado em Terça, 18 Janeiro 2011 11:16