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Três mulheres são agredidas por mês pelas companheiras. Diário de Notícias. Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 30 Março 2017 21:00

A APAV registou 65 vítimas de violência doméstica nas relações homossexuais, 43 das quais mulheres. Aqui, o estigma é a dobrar

 

Texto de Rute Coelho

Bolo

Por mês, há três mulheres agredidas pelas suas companheiras em relações lésbicas, num número que chegou a 43 vítimas o ano passado. Em 65 casos de violência doméstica nas relações homossexuais, dois terços das vítimas foram mulheres, segundo os dados do relatório anual da Associção Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) referentes a 2016.

A média de idade das vítimas é de 43,6 anos e uma boa parte tem estudos superiores (ver infografia).

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Um dos casos que chegou à APAV ilustra bem a "dupla estigmatização" que estas mulheres sofrem, nas palavras de Daniel Cotrim, psicólogo e assessor técnico da direção da APAV. Uma mulher apresentou-se nas urgências de um hospital de Lisboa acompanhada de outra mulher. Tinha sido agredida e violada. O caso foi registado como vítima de violação por um homem desconhecido. Mas, na realidade, a violadora era a mulher que estava ao seu lado, a sua companheira há mais de seis anos, que insistiu em levá-la ao hospital depois de a agredir sexualmente. No hospital passou facilmente por sua "amiga".

"Nas dinâmicas LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros], a dupla estigmatização significa ser-se vítima de um crime e ainda ter receio de se ser rotulado de lésbica ou homossexual, ou seja o que for".

No caso que Daniel Cotrim contou, a mulher vítima de violação só ganhou coragem para pedir apoio à APAV "quando percebeu que a sua vida corria riscos graves". O casal em causa era composto de duas mulheres de classe média e estudos superiores.

"Muitas agressoras ameaçam expor as vítimas ("outing"), usando o facto de família ou dos amigos desconhecer que elas têm uma relação homossexual", refere Daniel Cotrim. O "medo" do "insulto social" é ainda maior do que o sentido pelas vítimas em uniões heterossexuais.

O psicólogo recordou também um caso de uma mulher apoiada pela APAV que foi para uma casa abrigo e ainda teve direito a teleassistência. "Por um lado teve duas medidas de proteção. Por outro lado, a sua companheira, que a agrediu várias vezes, que a tentou matar e a perseguia, foi condenada apenas a uma pena suspensa de quatro anos". Tal como acontece nas relações heterossexuais, "o tempo da justiça não se coaduna com as necessidades das vítimas". E também nas relações entre mulheres, a fronteira das agressões para a morte é muito ténue: "Em 2015 houve um caso de uma mulher assassinada pela companheira com uma arma branca".

 

ILGA teve 70 pedidos de ajuda

O Serviço de Apoio a Vítimas LGBT da llga (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero), coordenado por Joana Peres, já teve 20 contactos presenciais desde janeiro e mais de 50 pedidos de ajuda por telefone, e-mail ou skype. "Nos contactos presenciais são muitas situações de trauma de relações anteriores e apenas algumas de violência nas relações conjugais", adianta Joana Peres, que não conseguiu precisar quantos desses contactos foram de mulheres e quantos de homens. "Mas na maioria dos casos pedem-nos ajuda e não formalizam queixa", diz.

Há um facto assinalável: "As mulheres vítimas nas relações conjugais homossexuais são mais vulneráveis do que as heterossexuais. Para a maioria das pessoas, duas mulheres a viveremna mesma casa são amigas. A relação é tão invisível que para a maioria das pessoas não existe".

E os filhos são usados como arma de arremesso nas relações lésbicas porque só há pouco tempo é que foi aprovada a co-adoção. "Quando há uma separação e os filhos são apenas de uma das mães, a outra pessoa fica desprotegida quanto à guarda das crianças".

A linha de apoio LGBT da Ilga é com os números: 218873922 ou 969239929 (4ª a dom, das 20.00 às 23.00).

 

 

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