"Ministro da Família" do Vaticano nega ter defendido uniões de facto homossexuais. Vaticano. Rádio Renascença. Versão para impressão
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Quarta, 06 Fevereiro 2013 16:24

Arcebispo Vincenzo Paglia garante que as suas palavras e ontem foram distorcidas pela imprensa.   

 

Filipe d??Avillez

 

O presidente do Pontifício Conselho para a Família, Arcebispo Vincenzo Paglia, esclareceu hoje que não defende a aprovação de uniões de facto para homossexuais, ao contrário do que lhe foi atribuído em vários órgãos de comunicação social.

Questionado sobre o casamento, ontem Paglia é citado pelo jornal italiano ??La Repubblica? como explicando que as objecções ao chamado casamento entre homossexuais não tem bases religiosas mas sociais ??a constituição é muito clara, mas mesmo antes dela era a lei Romana que estabelecia o que era o casamento?.

Mas depois, segundo o mesmo jornal, o arcebispo terá dito que isso não impede que os direitos de casais de facto, incluindo homossexuais, não devam ser reconhecidos. ??Está na altura de os legisladores se preocuparem com isto?, terá dito aquele que é conhecido como o ??ministro da Família? do Vaticano.

Hoje, porém, Paglia deu uma entrevista à Rádio Vaticano em que nega a interpretação dada pelos jornais: ??Fiquei muito admirado com algumas das reportagens. Não só as minhas palavras não foram compreendidas, foram mesmo, e talvez propositadamente, ??descarriladas???, afirma.

??Examinar os sistemas existentes para ver se deles se podem derivar normas que protegem os direitos individuais é uma coisa. ? muito diferente de aprovar tais possibilidades?, conclui o Arcebispo.

As primeiras reportagens atribuindo a Paglia a aprovação das uniões de facto causaram alguma estranheza uma vez que contradizem explicitamente palavras recentes do Papa e também o documento sobre este assunto da Congregação para a Doutrina da Fé de 2003.
 
Em Janeiro,num discurso no Vaticano, Bento VI afirmou que ??é um grave erro obscurecer o valor e as funções da família legítima fundada no matrimónio, atribuindo a outras formas de união impróprias reconhecimentos jurídicos, dos quais não há, na realidade, qualquer exigência social efectiva?.
 

No documento de 2003 intitulado ??Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais?, de autoria da Congregação para a Doutrina da Fé, na altura presidida pelo actual Papa, o Vaticano conclui que ??A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais.?

??A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade?, conclui o texto.

 

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