Funcionária que recusa casar gays nos EUA recebeu ordem de prisão. Jornal Diário de Notícias Versão para impressão
Quinta, 03 Setembro 2015 00:03

Kim Davis foi detida esta quinta-feira por desrespeito ao tribunal. Ficará na prisão até decidir acatar a lei consagrada na Constituição dos EUA, que a obriga a casar homossexuais.

 

 

Kim Davis
Kim Davis

 

 

Desde junho deste ano que o casamento de pessoas do mesmo sexo foi legalizado nos Estados Unidos da América, por decisão do Supremo Tribunal. Mas Kim Davis, uma funcionária judicial do estado norte-americano do Kentucky tornou-se notícia porque, em resposta à legalização, recusou-se a emitir licenças de casamento a qualquer casal, gay ou heterossexual, alegando objeção de consciência fundamentada no facto de responder a uma autoridade que é superior ao Supremo Tribunal: Deus.

Davis recorreu da decisão do Tribunal, que não lhe deu razão, respondendo que nenhum funcionário do Estado poderá "declinar agir em conformidade com a Constituição dos Estados Unidos". A funcionária ficava assim obrigada a casar todo e qualquer casal, incluindo os homossexuais. Mas, já esta semana, e perante várias câmaras de televisão, desafiou as autoridades e continuou a recusar assinar as licenças de casamento de pessoas do mesmo sexo, defendendo estar a agir perante a autoridade de Deus.

Intimada a comparecer em tribunal esta quinta-feira, recebeu do juiz ordem de prisão por desrespeito. Deverá agora permanecer na prisão até acatar a ordem consagrada na Constituição.

Durante a sessão, que durou duas horas, Davis chorou e defendeu que um casamento tem de ser entre homem e mulher, dizendo que era "incapaz" de reconhecer as uniões do mesmo sexo. No exterior do tribunal, cerca de 200 pessoas aguardaram até ser conhecida a decisão do juiz, que reconheceu que não decretara a sentença de "ânimo leve". Muitos casais homossexuais presentes manifestaram-se com aplausos e gritos de contentamento quando se tornou público que Davis iria ser detida.

Kim Davis, de 49 anos, já se divorciou três vezes, mas os seus advogados defendem que essa informação não tem relevância uma vez que a funcionária judicial só se converteu ao cristianismo há quatro anos.

 

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